O fagote é um aerofone de madeira de palheta dupla. Morfologicamente, destaca-se pelo seu longo tubo de perfuração cónica, que mede cerca de 2,5 metros de comprimento total. Para se tornar fisicamente manejável, o tubo é dobrado sobre si mesmo em forma de "U", articulando-se em quatro secções de madeira acopladas a uma peça base, a bota. O som é gerado pela vibração de duas lamelas de cana, ligadas a um tubo metálico curvo (o tudel), que se insere no instrumento.
Acusticamente, a perfuração cónica determina que o fagote sobre-sopre à oitava, contrariamente aos instrumentos de tubo cilíndrico. O seu timbre é caracteristicamente denso e aveludado no registo grave, tornando-se consideravelmente mais penetrante e anasalado no registo agudo.
Historicamente, o fagote evoluiu a partir do baixão renascentista, um instrumento escavado num único bloco de madeira. A transição para a construção em juntas separadas ocorreu em França, durante o século XVII. No século XIX, o instrumento sofreu a sua reforma acústica e mecânica mais profunda. Através do trabalho de Carl Almenräder e Johann Adam Heckel, nasceu o "sistema Heckel". Este sistema alemão otimizou a afinação e o mecanismo de chaves, tornando-se o padrão construtivo dominante a nível mundial.
Docentes
Cursos com este instrumento
Tiago Martins iniciou os estudos em fagote na ARTAVE, prosseguindo na Escola Superior de Música e Artes do Espetáculo e concluindo o Mestrado em Ensino da Música na Escola Superior de Música de Lisboa.
Ao longo da sua carreira, trabalhou com maestros como Ernest Schelle, Thomas Sanderling, Paulo Martins, Pedro Carneiro e Jean-Sébastien Béreau. Participou em masterclasses com Günter Pfitzenmaier, Lindow Watts, Marc Trénel, Roberto Giaccaglia, Steve Harriswangler, Giorgio Mandolesi e Gustavo Nunez. Foi galardoado no Prémio Jovens Músicos (Música de Câmara) e no Concurso Terras La-Salette (Fagote).
Enquanto docente, colaborou com o Conservatório de Música de Cascais, Conservatório de Música D. Dinis, Sociedade Filarmónica Gualdim Pais e Conservatório das Caldas da Rainha,
Enquanto performer, colaborou Orquestra de Câmara de Cascais e Oeiras, Orquestra Filarmónica Portuguesa, Orquestra Sinfónica de Thomar, Banda Sinfónica Portuguesa, Orquestra Metropolitana de Lisboa, Orquestra de Câmara Portuguesa, Orquestra Sinfónica do Algarve, entre outras.
Atualmente, é professor de fagote no Agrupamento de Escolas Luís António Verney e no Conservatório de Música de Loulé – Francisco Rosado; coordenador das Oficinas de Composição e Música de Câmara na Câmara Municipal de Sintra; e Diretor Artístico da Sociedade Filarmónica Fraternidade de Carnaxide.